Macron condena 'atentado terrorista racista' que deixou um morto perto de Paris
O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou nesta sexta-feira (23) um "atentado terrorista racista", depois que um homem abriu fogo de dentro de um carro perto de Paris, matando uma pessoa e ferindo outras cinco.
O ataque em Trappes e La Verrière chocou essas cidades situadas a sudoeste de Paris, sobretudo porque, segundo seus prefeitos, o homem atacou pessoas de origem imigrante, "africana" ou "magrebina", em referência à região no noroeste da África com forte influência árabe.
Macron foi ao local do ataque, onde denunciou um "atentado terrorista racista" e pediu que a população não "baixe a cabeça" diante das "ideias que estão ganhando espaço".
Entre os feridos está uma menina de 12 anos, que levou oito tiros, e dois funcionários da limpeza, informou à AFP o prefeito de La Verrière, Nicolas Dainville, que descreveu "um horror, um trauma, um pesadelo".
Seu colega de Trappes, Ali Rabeh, explicou que "a pessoa morta é de origem africana e [uma] pessoa em estado crítico é de origem magrebina", e denunciou um ataque "racista" e "islamofóbico".
"É um ponto de inflexão porque é a primeira vez que há um ato terrorista planejado para matar nossos compatriotas, nossos filhos, pela cor de sua pele ou pela religião que lhes atribuímos", ressaltou Macron, que fez um apelo à "concórdia".
O ataque ocorre em um momento em que o governo está sob pressão pelas cenas de violência registradas na semana passada, em meio a protestos sociais, a seis meses de uma eleição presidencial na qual a ultradireitista Marine Le Pen lidera as pesquisas.
- 'Jornada assassina' -
O ataque ocorreu por volta das 10h30 locais em Trappes e La Verrière (05h30 no Horário de Brasília), e o homem, identificado como Kévin T., foi rapidamente detido a poucos quilômetros de distância, na localidade vizinha de Coignères.
Cinco agentes "prenderam" o homem e "interromperam a jornada assassina", que "deve ter durado pouco menos de 15 minutos", explicou o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
O homem "claramente atirava (...) com vontade de provocar uma carnificina", afirmou ao canal BFMTV o prefeito de Trappes, Ali Rabeh, que denunciou um ataque "racista" e "islamofóbico".
O atirador disparou rajadas de dentro de um carro, informou à AFP uma fonte policial.
Samy, um morador do centro de Trappes, viu um corpo estendido no chão de sua janela. Sua mãe estava na rua, viu um carro Clio cinza "passar em alta velocidade" e ouviu "disparos", acrescentou.
"Estou com o coração partido" e com "medo", declarou outro morador, Adel, de 50 anos, referindo-se ao perfil das vítimas. "Eu mesmo sou de origem magrebina (...) e Deus sabe que somos muitos", acrescentou.
- Cilindros de gás -
O atirador, de 39 anos e morador da cidade vizinha de Plaisir, foi detido em posse de uma pistola-metralhadora e granadas de gás lacrimogêneo, e já possui antecedentes, segundo outra fonte policial.
Além disso, havia instalado "três cilindros de gás e interruptores elétricos conectados a um temporizador" em sua residência para provocar uma explosão, explicou a Procuradoria Nacional Antiterrorista (Pnat).
O edifício onde ele mora foi evacuado e o bairro foi isolado durante a tarde, constatou um jornalista da AFP.
As forças de segurança registraram 9.700 crimes ou delitos "de caráter racista" na França em 2025, um aumento de 5% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério do Interior.
F.Schneider--NZN