Zürcher Nachrichten - Feministas mexicanas na expectativa da primeira mulher na Presidência

EUR -
AED 4.183233
AFN 72.900796
ALL 94.178505
AMD 419.314312
ANG 2.039391
AOA 1044.526125
ARS 1682.963331
AUD 1.650836
AWG 2.050323
AZN 1.940938
BAM 1.953816
BBD 2.29467
BDT 140.137703
BGN 1.926028
BHD 0.429564
BIF 3383.764104
BMD 1.139068
BND 1.474203
BOB 7.873316
BRL 5.906116
BSD 1.139343
BTN 106.936538
BWP 15.483957
BYN 3.304345
BYR 22325.7403
BZD 2.291333
CAD 1.616088
CDF 2585.685641
CHF 0.921945
CLF 0.026716
CLP 1051.47848
CNY 7.750051
CNH 7.748997
COP 3924.853754
CRC 517.274756
CUC 1.139068
CUP 30.185312
CVE 110.152667
CZK 24.262503
DJF 202.435681
DKK 7.474852
DOP 66.942027
DZD 151.891398
EGP 56.388104
ERN 17.086026
ETB 183.690043
FJD 2.581248
FKP 0.861953
GBP 0.862588
GEL 3.012882
GGP 0.861953
GHS 12.846463
GIP 0.861953
GMD 83.152397
GNF 9982.863336
GTQ 8.692174
GYD 238.447299
HKD 8.931931
HNL 30.484046
HRK 7.534145
HTG 148.908797
HUF 353.806604
IDR 20318.644856
ILS 3.419541
IMP 0.861953
INR 107.482778
IQD 1492.484522
IRR 1566275.979936
ISK 143.990074
JEP 0.861953
JMD 179.437798
JOD 0.807645
JPY 184.248302
KES 147.464231
KGS 99.611968
KHR 4573.356185
KMF 494.356077
KPW 1025.161943
KRW 1749.07411
KWD 0.352667
KYD 0.949478
KZT 552.798685
LAK 25007.607115
LBP 102029.928944
LKR 382.987923
LRD 207.538374
LSL 18.727983
LTL 3.363373
LVL 0.689012
LYD 7.313542
MAD 10.683358
MDL 20.201374
MGA 4819.022121
MKD 61.650608
MMK 2391.4173
MNT 4078.140908
MOP 9.203718
MRU 45.46983
MUR 54.345384
MVR 17.599037
MWK 1975.671941
MXN 19.928917
MYR 4.656556
MZN 72.790718
NAD 18.727983
NGN 1569.96699
NIO 41.927427
NOK 11.321935
NPR 171.101263
NZD 2.019175
OMR 0.437978
PAB 1.139393
PEN 3.885055
PGK 4.999879
PHP 69.810658
PKR 317.086147
PLN 4.288536
PYG 6953.908432
QAR 4.152965
RON 5.240402
RSD 117.409287
RUB 89.840095
RWF 1668.578957
SAR 4.278556
SBD 9.171725
SCR 15.116694
SDG 683.441416
SEK 11.086063
SGD 1.474085
SHP 0.85043
SLE 28.253073
SLL 23885.698624
SOS 651.167384
SRD 42.695744
STD 23576.41575
STN 24.475148
SVC 9.968834
SYP 125.903618
SZL 18.716995
THB 37.997617
TJS 10.544809
TMT 3.986739
TND 3.377019
TOP 2.742604
TRY 53.107967
TTD 7.743002
TWD 36.285825
TZS 2987.418743
UAH 51.139324
UGX 4181.643799
USD 1.139068
UYU 45.735567
UZS 13685.704189
VES 707.080099
VND 29957.498463
VUV 136.632283
WST 3.172872
XAF 655.291613
XAG 0.019292
XAU 0.000279
XCD 3.07839
XCG 2.053315
XDR 0.816089
XOF 655.288739
XPF 119.331742
YER 271.810235
ZAR 18.752312
ZMK 10252.986409
ZMW 20.523521
ZWL 366.779554
Feministas mexicanas na expectativa da primeira mulher na Presidência
Feministas mexicanas na expectativa da primeira mulher na Presidência / foto: CARL DE SOUZA - AFP

Feministas mexicanas na expectativa da primeira mulher na Presidência

"Haverá mudanças", "eu não espero nada", "se for preciso queimar tudo, vamos fazê-lo". Feministas falam de suas esperanças e também de seus incômodos frente à provável eleição de uma mulher na Presidência do México, algo inédito na história deste país tradicionalmente machista.

Tamanho do texto:

Com 56% das intenções de voto, a candidata governista Claudia Sheinbaum enfrentará nas urnas no próximo 2 de junho a centro-direitista Xóchitl Gálvez (34%), seguida de Jorge Álvarez Máynez, do minoritário Movimento Cidadão (10%), segundo um consolidado de pesquisas da empresa Oráculus.

O inédito momento político contrasta com o machismo que caracteriza o país, como telenovelas, filmes e músicas que exaltam o homem dominante e a mulher abnegada.

A realidade vivida por meninas e mulheres no México, de 129 milhões de habitantes, continua sombria. Só em 2023 o país registrou 852 feminicídios, segundo números oficiais.

Quatro feministas com idades entre 26 e 91 anos contam à AFP o que esperam das eleições.

- "Já é hora" -

"Já é hora de as mulheres serem reconhecidas", diz, com voz doce, em sua casa no sul da Cidade do México, Elena Poniatowska, escritora e feminista de 91 anos, ganhadora do prêmio Cervantes em 2013.

"É uma consequência lógica de um país que está avançando" o México ter uma presidente, diz a autora do livro "La noche de Tlatelolco" (sem título em português).

Nascida em Paris e naturalizada mexicana em 1969, Poniatowska apoia o presidente de esquerda Andrés Manuel López Obrador. Agora, dá como certa a vitória de Sheinbaum, ex-prefeita da Cidade do México (2018-2023).

"Haverá mudanças muito importantes", garante. Ela espera maior atenção oficial para "a cultura" e políticas públicas em benefício das "crianças", o que resulta em mais direitos para as mulheres.

- Poucas expectativas -

Ao lançar sua campanha, em março, Sheinbaum prometeu proteger e melhorar a vida das mulheres. "Não sou eu quem chega, chegamos todas", assegurou.

Gálvez, por sua vez, enfatiza que em seu governo será "uma aliada das mulheres".

Encarregada do portal feminista SemMéxico, Sara Lovera, de 74 anos, diz ter "poucas expectativas" se Sheinbaum vencer, pois seu padrinho político, López Obrador, debochou das "pseudofeministas" depois de manifestações a favor do aborto.

O aborto foi descriminalizado e legalizado no México pela Suprema Corte em setembro de 2023.

"Não teremos nenhuma mudança, vamos continuar perdendo. Tem quem pense que perdemos 30 anos na política de gênero", diz Lovera.

"Acho que com Xóchitl Gálvez poderíamos dialogar, embora ela tampouco entenda nada" das lutas feministas, acrescenta.

- "Somos tendência" -

"Flor de Fuego", de 53 anos, vive de fazer malabarismo com fogo em um sinal de trânsito na localidade de Azcaptozalco, próxima à capital, e costuma incendiar marchas em defesa dos direitos das mulheres lançando poderosas labaredas pela boca.

"Nós, mulheres, meio que somos tendência, então (os partidos políticos) embarcam nesse bonde", diz com sarcasmo, depois de correr entre os carros com uma bandeja prateada que usa para coletar moedas. Foi assim que ela pagou a faculdade de biologia do filho.

"A verdade é que eu não acredito que as coisas mudem muito", vencendo uma ou outra candidata, ambas de 61 anos, acrescenta "Flor de Fuego", que prefere não revelar seu nome de registro.

Durante o governo de Sheinbaum na Cidade do México, afirma, "nós, feministas, fomos bastante reprimidas em nossas marchas... Quem sabe como será para a comunidade feminista" se ela chegar à Presidência.

- "Queimar tudo" -

Alondra (nome fictício), estudante de Economia e Direito e integrante do Bloque negro (Bloco Negro), um movimento feminista radical, demonstra revolta.

Os partidos políticos "pensam que por imporem uma mulher, venha de onde vier, já vão nos calar ou vão calar o movimento feminista", adverte.

"Se não houver uma mulher que faça o sistema patriarcal tremer, nada vai mudar (...) E vamos continuar nos manifestando e se for preciso queimar tudo, tudo terá que ser queimado", diz Alondra, com os olhos maquiados com sombra vermelha.

"Pode ser que tudo fique igual, que a mesma situação de violência contra as mulheres continue", comenta.

Ao falar com a AFP, ela cola sobre a propaganda eleitoral cartazes com a imagem de um dos supostos assassinos da estudante María de Jesús Jaimes Zamudio, morta em 2016.

Alondra ficou ferida várias vezes em confrontos com forças de segurança, ao proteger manifestantes.

O Bloque negro foi acusado de vandalizar monumentos e estabelecimentos comerciais, mas seus integrantes asseguram que se tratam de atos de iconoclasia, ou seja, a destruição de figuras de autoridade para transmitir mensagens políticas.

O.Meier--NZN