Zürcher Nachrichten - Os principais temas das memórias de Juan Carlos I

EUR -
AED 4.330938
AFN 77.832669
ALL 96.602299
AMD 448.308258
ANG 2.111018
AOA 1081.405926
ARS 1712.281766
AUD 1.683491
AWG 2.122717
AZN 2.011969
BAM 1.952352
BBD 2.385487
BDT 144.854178
BGN 1.98046
BHD 0.444593
BIF 3523.311312
BMD 1.179287
BND 1.505609
BOB 8.213494
BRL 6.173331
BSD 1.184408
BTN 108.30872
BWP 15.600156
BYN 3.391411
BYR 23114.031108
BZD 2.381993
CAD 1.612735
CDF 2541.363858
CHF 0.917604
CLF 0.025732
CLP 1016.049951
CNY 8.19192
CNH 8.177927
COP 4279.633617
CRC 588.120153
CUC 1.179287
CUP 31.251113
CVE 110.070608
CZK 24.316784
DJF 210.907524
DKK 7.469871
DOP 74.866187
DZD 153.292081
EGP 55.426182
ERN 17.68931
ETB 184.766832
FJD 2.595906
FKP 0.863817
GBP 0.863125
GEL 3.178225
GGP 0.863817
GHS 12.987064
GIP 0.863817
GMD 86.679113
GNF 10400.833668
GTQ 9.08795
GYD 247.792382
HKD 9.214933
HNL 31.289151
HRK 7.535878
HTG 155.34618
HUF 380.604318
IDR 19774.289471
ILS 3.641857
IMP 0.863817
INR 106.493127
IQD 1551.553277
IRR 49677.477759
ISK 145.005151
JEP 0.863817
JMD 186.104935
JOD 0.836112
JPY 183.85502
KES 152.423113
KGS 103.128449
KHR 4772.274622
KMF 492.941585
KPW 1061.343532
KRW 1709.471372
KWD 0.362501
KYD 0.986953
KZT 598.108773
LAK 25471.016518
LBP 105583.598595
LKR 366.770704
LRD 219.701992
LSL 18.962411
LTL 3.482129
LVL 0.713339
LYD 7.482785
MAD 10.800625
MDL 20.051588
MGA 5285.631848
MKD 61.645314
MMK 2476.644764
MNT 4208.203103
MOP 9.528032
MRU 47.067395
MUR 54.117259
MVR 18.220542
MWK 2055.212701
MXN 20.433806
MYR 4.637552
MZN 75.179503
NAD 18.962572
NGN 1643.820395
NIO 43.616812
NOK 11.426404
NPR 173.429011
NZD 1.954946
OMR 0.453443
PAB 1.184408
PEN 3.989155
PGK 5.079035
PHP 69.680557
PKR 331.782131
PLN 4.222208
PYG 7875.092072
QAR 4.329654
RON 5.095662
RSD 117.416885
RUB 90.476221
RWF 1732.876805
SAR 4.422659
SBD 9.502817
SCR 16.389742
SDG 709.342365
SEK 10.551968
SGD 1.498998
SHP 0.884771
SLE 28.863016
SLL 24729.064203
SOS 677.426358
SRD 44.842382
STD 24408.866168
STN 24.476076
SVC 10.363653
SYP 13042.416233
SZL 18.967656
THB 37.188904
TJS 11.062064
TMT 4.139298
TND 3.417065
TOP 2.839441
TRY 51.295343
TTD 8.018906
TWD 37.243063
TZS 3050.273424
UAH 51.045558
UGX 4230.52861
USD 1.179287
UYU 45.948851
UZS 14479.428382
VES 438.270999
VND 30663.828412
VUV 140.969154
WST 3.21511
XAF 655.310907
XAG 0.013545
XAU 0.000239
XCD 3.187083
XCG 2.134521
XDR 0.814972
XOF 654.800579
XPF 119.331742
YER 281.112568
ZAR 18.879387
ZMK 10615.001017
ZMW 23.242951
ZWL 379.73003
Os principais temas das memórias de Juan Carlos I
Os principais temas das memórias de Juan Carlos I / foto: Óscar del Pozo - AFP/Arquivos

Os principais temas das memórias de Juan Carlos I

De suas lembranças de infância a questões como a morte, o rei emérito da Espanha, Juan Carlos I, relembra em suas memórias momentos importantes de sua vida, sem evitar temas delicados como presentes, exílio ou seus relacionamentos amorosos.

Tamanho do texto:

Estes são alguns dos episódios narrados na edição francesa de 'Reconciliação', escrita em conjunto com Laurence Debray e publicada nesta quarta-feira (5) na França. A edição espanhola está prevista para o final do ano.

- "Um nó no estômago" -

Juan Carlos I, nascido em Roma no dia 5 de janeiro de 1938, descreve suas lembranças de infância, principalmente na Suíça, onde a família viveu por alguns anos.

No entanto, um dos momentos que mais o marcaram foi quando se mudou aos 10 anos de Portugal para a Espanha para ser educado sob a tutela do ditador Francisco Franco.

"Este país que era meu, mas eu não conhecia, cujo idioma não falava bem", confessa em suas memórias.

Ao pegar o trem, seu pai, o conde de Barcelona disse à sua mãe: "Maria, se despeça de Juanito porque não sabemos quando o veremos novamente".

"Quando ouvi suas palavras, senti um nó no estômago", relembra.

- A morte de seu irmão -

O soberano faz uma referência discreta a outro episódio traumático da sua juventude: a morte do seu irmão mais novo, Alfonso, de 14 anos, em 1956.

Ambos estavam "brincando" com uma pistola calibre 22 na residência da família em Estoril, Portugal. Juan Carlos a teria disparado acidentalmente, em um caso que não chegou a ser realmente investigado pelas autoridades portuguesas ou espanholas.

"Tínhamos retirado o carregador. Não percebemos que ainda havia uma bala na câmara. Um tiro foi disparado para o ar, a bala ricocheteou e atingiu meu irmão no meio da testa", descreve.

"Morreu nos braços do nosso pai. Houve um antes e um depois".

- A última mensagem de Franco -

No início de novembro de 1975, o general Franco, que governou a Espanha com mão de ferro entre 1939 e 1975, estava prestes a morrer.

O ainda príncipe teve uma última conversa com ele no hospital: "Ele pegou minha mão e disse, como em um último suspiro: 'Alteza, só peço uma coisa: mantenha a unidade do país'".

Juan Carlos I pensou que "tinha via livre para empreender reformas, desde que não colocasse em risco a unidade da Espanha".

- O 23 F -

Um dos episódios chave da história recente da Espanha foi a tentativa de golpe de Estado militar de 23 de fevereiro de 1981, que fracassou graças ao rei Juan Carlos I.

O soberano recorda com riqueza de detalhes aquela noite, na qual pediu que seu filho, Felipe, estivesse presente: "Sua instrução como rei começou neste dia".

Os estúdios da Radiotelevisão Espanhola também foram tomados e as equipes demoraram a chegar na residência atual.

"Finalmente gravo minha mensagem à nação (...) Vesti meu casaco de general. Para ir mais rápido, nem sequer vesti as calças", relembra. "Meu discurso é sóbrio e eficaz, com duração de noventa segundos".

- "América Hispânica" -

"Eu sou um rei espanhol que ama a América Hispânica", destaca em um capítulo dedicado aos vínculos entre a Espanha e as nações latino-americanas que, segundo ele, quis "revitalizar".

Segundo o rei emérito, suas relações com todos os líderes latino-americanos foram "respeitosas, exceto uma", com o venezuelano Hugo Chávez, a quem ele disse, durante uma cúpula em 2007 no Chile: "Por que você não se cala?".

Apesar de não compartilhar seus ideais políticos, ele destaca sua relação "quase familiar" com o cubano Fidel Castro: "Ele me enviava todos os anos uma boa caixa de charutos até eu parar de fumar (...) Sempre me emocionava".

- Presentes -

O ex-monarca explica em várias páginas o porquê dos generosos presentes que recebia, especialmente de algumas famílias reais árabes, "um ato de generosidade de uma monarquia para com outra".

Sobre a doação de 100 milhões de dólares (538,4 milhões de reais na cotação atual) do falecido rei da Arábia Saudita, Abdullah, ele admite que foi "um grave erro" aceitá-la.

Na sequência das revelações cada vez mais embaraçosas sobre a origem duvidosa da sua fortuna, deixou Espanha em 2020, após ter sido aberta uma investigação judicial contra ele, que mais tarde foi arquivada.

- Corinna -

Embora sem citar seu nome, o ex-monarca reconhece outro "erro": seu relacionamento extraconjugal com a aristocrata e empresária alemã Corinna Larsen, que o processou sem sucesso no Reino Unido por assédio.

Ele estava com ela quando, durante uma caça de elefantes em Botsuana, em 2012, e em plena crise econômica na Espanha, caiu e fraturou o quadril, um comportamento pelo qual pediu desculpas.

"Não quero que ela tenha a última palavra, que sua verão seja considerada a única verdade" nesta questão, que "teve um impacto infeliz no meu reinado e no meu destino", escreve o ex-soberano, que se define como um "homem ferido".

- Exílio -

Sua crescente impopularidade na Espanha e seus problemas de saúde o levaram a abdicar em 2014, apesar de que seu pai costumasse dizer que um rei "morre com as botas calçadas", e seis anos depois ele se exilou em Abu Dhabi para não prejudicar a Coroa.

"Pensava em me afastar por algumas semanas no máximo", reconhece o monarca, que lamenta que, cinco anos depois, a rainha Sofia não o tenha visitado e o "ostracismo" a que teria sido condenado.

"Não existe um dia sequer que a saudade não me invada", acrescenta.

Sobre a monarquia na Espanha, "mais recente e frágil" que em outros países, Juan Carlos I assegura que "fará tudo o possível para que (seu) filho, o rei Felipe, triunfe à frente da instituição e que sua filha, a princesa Leonor, extremamente preparada, o suceda".

- Morte -

O "medo" de morrer sem dar a sua "versão da História" o motivou a escrever suas memórias e, embora confesse que "não está obcecado" com a sua morte, os seus últimos anos de vida pairam sobre o livro.

O ex-soberano recorda o enterro de 2022 de sua "prima", a rainha da Inglaterra Elizabeth II, e, um ano depois, o de seu cunhado, o ex-rei grego Constantino II, que "pelo menos teve a satisfação de morrer na Grécia".

"Espero, enquanto viver, desfrutar de uma aposentadoria tranquila, restabelecer uma relação harmoniosa com meu filho e, sobretudo, voltar à Espanha", conclui Juan Carlos I, que deseja "ser enterrado com honras".

A.P.Huber--NZN