Zürcher Nachrichten - Trump convida Petro à Casa Branca em sua primeira conversa telefônica

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Trump convida Petro à Casa Branca em sua primeira conversa telefônica
Trump convida Petro à Casa Branca em sua primeira conversa telefônica / foto: Luis ACOSTA - AFP

Trump convida Petro à Casa Branca em sua primeira conversa telefônica

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou seu par colombiano Gustavo Petro a visitar a Casa Branca durante uma primeira conversa telefônica entre ambos, após as ameaças de Washington de uma possível ação militar no país sul-americano.

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Depois da escalada de tensões e das trocas de acusações, os presidentes amenizaram o tom.

"Foi uma grande honra falar com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que me telefonou para explicar a situação das drogas e de outros desacordos que tivemos. Agradeci sua chamada e seu tom, e espero me reunir com ele em um futuro próximo", escreveu Trump em uma mensagem publicada em sua rede Truth Social.

"Estão sendo feitos acertos entre o secretário de Estado Marco Rubio e o chanceler da Colômbia. A reunião vai acontecer na Casa Branca", acrescentou o dirigente americano.

Nesta quarta, Petro convocou marchas em todo o país em repúdio às ameaças de Trump. O presidente americano acusou seu par colombiano, sem provas, de ser um líder do narcotráfico e disse que "não teria problema" em realizar uma incursão militar em solo colombiano semelhante à realizada na Venezuela.

Ao se dirigir à multidão na Praça Bolívar, no centro de Bogotá, Petro assegurou que pensava em fazer um discurso "muito duro", mas mudou de ideia após o telefonema com Trump, que durou pelo menos uma hora.

O dirigente colombiano assegurou que pediu a seu colega americano que "se restabeleçam os contatos diretos entre chancelarias e presidentes" de ambas as nações.

Os dois também falaram sobre o tráfico de drogas e a situação na Venezuela, após o bombardeio de sábado que culminou com a captura de Nicolás Maduro, que está preso e aguarda julgamento por narcotráfico e terrorismo nos Estados Unidos.

"Se não se dialoga, há guerra", disse Petro em meio à ovação do público.

- 'Trump não é bobo' -

Por ora não há uma data para o encontro, ao qual o presidente colombiano disse que atenderá para ver "no que vai dar".

"Chegaram a convencer Trump de que eu era o rei da fábrica de cocaína [...] Trump não é bobo", disse.

Petro e Trump tiveram repetidos desencontros sobre temas como narcotráfico, tarifas e imigração. Aliados militares e econômicos históricos, Colômbia e Estados Unidos estão em um dos piores momentos de sua relação bilateral.

Desde o fim de setembro, Petro não tem visto americano por ordem de Trump.

Em uma entrevista dada mais cedo à AFP, o vice-chanceler Mauricio Jaramillo advertiu que uma escalada das tensões poderia levar a uma "catástrofe" humanitária sem precedentes na América Latina.

Petro também informou durante o seu discurso que falou há dois dias com a presidente interina Delcy Rodríguez, a convidou a visitar a Colômbia e lhe propôs um diálogo "mundial" para "estabilizar" a Venezuela.

O dirigente colombiano não reconhece a questionada vitória de Maduro nas eleições de 2024, mas acusa Washington de sequestrá-lo e se posicionou contra a operação militar dos Estados Unidos em Caracas.

Segundo o presidente colombiano, o diálogo foi proposto a Delcy com o objetivo de evitar "violência" na sociedade venezuelana.

- Protestos em defesa de Petro -

Quando o presidente de esquerda anunciou a aproximação com Washington, os presentes gritaram: "Que venha Trump!"

"A Colômbia não pode ficar aquém do sentimento internacional em relação à atrocidade cometida com a invasão de um território autônomo e soberano como a Venezuela", disse à AFP o professor Nelson Lavado, de 59 anos.

Trump deixou clara a sua intenção de controlar o petróleo venezuelano e mandar empresas americanas ao país para explorar o recurso natural, uma postura criticada pela Colômbia.

Petro disse ter cogitado na conversa com seu par americano a possibilidade de criar uma "aliança estratégica" para abandonar os combustíveis fósseis, como o petróleo, e fazer a transição para a energia verde, uma das bandeiras do seu governo, mas uma posição completamente oposta à de Trump.

N.Zaugg--NZN