Colômbia responde ao Equador com tarifas de 100%
A Colômbia aumentou nesta sexta-feira (10) para 100% as tarifas sobre as importações procedentes do Equador, em resposta à mesma medida tomada ontem por Quito, em meio à crise diplomática entre os dois países, anunciou o Ministério colombiano do Comércio.
A disputa é motivada pelas críticas do presidente equatoriano, Daniel Noboa, ao colega Gustavo Petro pelo que considera falta de firmeza no combate ao crime na fronteira, onde atuam cartéis e guerrilhas de narcotraficantes.
O Equador aumentou ontem suas tarifas de 50% para 100%, o que levou Petro a ordenar o "retorno imediato" de sua embaixadora a Bogotá.
Desde o começo do ano, a Colômbia impõe tarifas recíprocas a cada vez que o Equador as aumenta. "Esgotamos todos os esforços diplomáticos", disse hoje a ministra colombiana do Comércio, Diana Morales.
A crise diplomática entre os dois países se agravou na última segunda-feira, quando Petro chamou de "preso político" o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas. Entre 2013 e 2017, Glas foi vice de Rafael Correa, um dos principais opositores de Noboa.
O ex-vice-presidente enfrenta várias condenações, uma delas de 13 anos, por corrupção, peculato e associação ilícita, e está detido desde novembro em uma megapenitenciária de segurança máxima inaugurada por Noboa na província costeira de Santa.
Após as declarações de Petro, o presidente equatoriano convocou seu embaixador em Bogotá para consultas.
A Colômbia exporta para o Equador principalmente energia elétrica, medicamentos, automóveis, cosméticos e plásticos, e importa gorduras e óleos vegetais, atum em conserva, minerais e metais, segundo associações empresariais.
Petro levantou ontem a possibilidade de a Colômbia se retirar da Comunidade Andina de Nações (CAN), que inclui Peru, Bolívia e Equador. Segundo sua chancelaria, o país trabalha por uma adesão plena ao Mercosul, do qual é um Estado associado.
Em 2024, o governo Noboa prendeu Glas durante uma operação militar na embaixada mexicana em Quito, onde ele estava asilado. Petro foi um crítico dessa incursão e concedeu cidadania colombiana ao ex-vice-presidente.
A.P.Huber--NZN