Trump afirma que EUA não tem pressa, mas que 'relógio corre' para o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira (23) que o país não sente nenhuma pressão para encerrar a guerra com o Irã, mas advertiu que "o relógio está correndo" para Teerã diante da chegada de um terceiro porta-aviões americano ao Oriente Médio.
Os meios de comunicação iranianos relataram nesta quinta-feira explosões sobre Teerã, depois que Israel ameaçou "levar o Irã de volta à Idade da Pedra", mas uma fonte de segurança israelense declarou à AFP que o exército de seu país não está atacando a república islâmica e que não está clara a origem das explosões.
Em um momento em que não há perspectivas de retomar as negociações com a mediação do Paquistão, a agência estatal Irna afirmou que "foram ouvidos disparos da defesa antiaérea" no oeste de Teerã. A agência Mehr indicou que os sistemas foram ativados contra "alvos hostis".
Nos Estados Unidos, Trump advertiu: "Tenho todo o tempo do mundo, mas o Irã não. O relógio está correndo!", em uma mensagem nas redes sociais na qual afirmou que o exército iraniano foi destruído e que seus líderes estão mortos.
"O bloqueio é hermético e firme e, a partir de agora, a situação só vai piorar", assegurou.
O Exército dos Estados Unidos informou que um terceiro porta-aviões, o USS George H.W. Bush, está em águas do Oriente Médio.
O Paquistão organizou um primeiro ciclo de negociações em 11 de abril entre Estados Unidos e Irã, e as conversas deveriam ser retomadas no início da semana, mas o encontro nunca se concretizou, apesar da iminente expiração do cessar-fogo que Trump decidiu prolongar unilateralmente.
A fragilidade do cessar-fogo já havia ficado evidente nesta quinta-feira antes das explosões, quando o ministro da Defesa de Israel declarou que seu país está "preparado para retomar a guerra contra o Irã".
O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que seu país espera luz verde dos Estados Unidos para "levar o Irã de volta à Idade da Pedra".
O conflito armado começou em 28 de fevereiro com ataques conjuntos de Israel e Estados Unidos contra Teerã.
- O estreito de Ormuz concentra as tensões -
Mais cedo, Trump ordenou à Marinha dos Estados Unidos que destrua qualquer embarcação que coloque minas nas águas do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte mundial de hidrocarbonetos que se tornou um elemento central do conflito.
"Não hesitaremos", garantiu o mandatário republicano.
O anúncio de Trump ocorreu logo depois que as forças americanas afirmaram ter abordado um navio no oceano Índico que transportava petróleo iraniano, e de que uma alta autoridade iraniana disse que o país recebeu suas primeiras receitas provenientes das tarifas impostas unilateralmente no Estreito de Ormuz.
Como medida de pressão, desde o início da guerra a república islâmica autorizou apenas um número muito limitado de navios a atravessar o estreito, e essa obstrução ameaça desestabilizar a economia global.
Em resposta, os Estados Unidos bloqueiam o acesso aos portos iranianos desde 13 de abril.
O número de travessias pelo Estreito de Ormuz caiu desde domingo devido às restrições impostas por ambos os países, e os incidentes envolvendo embarcações se multiplicaram, segundo dados compilados pela AFP.
O Irã interceptou na quarta-feira dois navios no estreito, e um terceiro foi alvo de disparos ao largo das costas de Omã.
Por sua vez, o Pentágono indicou nesta quinta-feira que suas forças "realizaram uma interdição marítima e uma abordagem de direito de visita do navio sancionado e sem bandeira M/T Majestic X, que transportava petróleo do Irã, no oceano Índico". Trata-se da segunda operação desse tipo em três dias.
No âmbito de seu bloqueio, Washington ordenou a 31 embarcações, em sua maioria petroleiros, que retornassem ao porto, segundo o comando militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom).
- Trump participará de reunião entre Líbano e Israel -
Na outra principal frente da guerra, no Líbano, o Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira que três pessoas morreram em um bombardeio israelense no sul do país, antes do início da reunião entre os dois países em Washington.
Essas mortes, apesar da trégua em vigor, ocorreram antes de uma reunião-chave em Washington entre representantes de Israel e Líbano, o segundo diálogo de alto nível, que também será realizado na Casa Branca, na presença do presidente americano.
Após o início da guerra em 2 de março, quando o Hezbollah disparou contra Israel em apoio ao Irã, as forças israelenses assumiram o controle de uma faixa de território libanês de cerca de dez quilômetros de profundidade ao longo da fronteira.
Segundo o último balanço oficial, pelo menos 2.454 pessoas morreram no Líbano em seis semanas de guerra.
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Ch.Siegenthaler--NZN