EUA realiza operações militares contra tráfico de drogas no norte do Equador
Os Estados Unidos realizam operações militares conjuntas contra o tráfico de drogas no norte do Equador, perto da fronteira com a Colômbia, informou o governador regional nesta quinta-feira (20).
Washington e Quito mantêm operações conjuntas há meses para capturar grupos criminosos no país sul-americano, assolado por uma espiral de violência.
"Estamos no sétimo grupo do Exército dos Estados Unidos (...) estamos trabalhando em conjunto na luta contra o narcoterrorismo", afirmou na quarta-feira o governador da província de Esmeraldas, Juan Jaramillo, que se recusou a responder quantos militares americanos foram destacados na região ou desde quando estão atuando.
As operações são realizadas com sigilo e fazem parte do acordo Escudo das Américas, uma coalizão antidrogas composta por cerca de 20 países da América Latina e do Caribe, liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A província costeira de Esmeraldas está assolada por assassinatos, sequestros e extorsões praticados por grupos do narcotráfico, que usam os portos do Pacífico para exportar drogas para os Estados Unidos e a Europa.
O ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo, anunciou nesta quinta-feira a chegada de dois navios de guerra e três helicópteros Black Hawk americanos para controlar pontos marítimos e cidades litorâneas, como a violenta Manta.
"Vamos triplicar nossas capacidades de interdição na zona marítima", afirmou em um vídeo compartilhado nas redes sociais com uma música de guerra ao fundo.
O presidente Daniel Noboa, de direita, tenta reduzir o crime com uma política rígida desde que chegou ao poder em 2023. Mas os índices de homicídio não dão trégua, com um recorde de 52 a cada 100 mil habitantes no ano passado.
O governo equatoriano publicou nesta semana um decreto que autoriza os militares americanos a permanecer em território equatoriano por até 180 dias sem visto e concede a eles imunidade migratória.
Trump, aliado regional de Noboa, promove uma política antidrogas com bombardeios e ataques terrestres no continente americano.
Em 2025, o mandatário republicano lançou uma campanha de bombardeios contra supostas lanchas associadas ao tráfico de drogas no Caribe e no oceano Pacífico, que até agora deixou pelo menos 215 mortos.
Em um referendo de 2025, os equatorianos votaram contra a implantação de bases militares americanas no país.
A ONG Human Rights Watch e a imprensa internacional denunciam que os Estados Unidos estariam por trás dos bombardeios a lanchas pesqueiras no Equador, que deixaram ao menos oito desaparecidos.
Questionado sobre o assunto, o governador Jaramillo disse que só responderia a "acontecimentos reais".
P.E.Steiner--NZN