Zürcher Nachrichten - Polícia francesa investiga morte transmitida ao vivo

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Polícia francesa investiga morte transmitida ao vivo
Polícia francesa investiga morte transmitida ao vivo / foto: PHILIPPE HUGUEN - AFP/Arquivos

Polícia francesa investiga morte transmitida ao vivo

A polícia francesa seguia enfrentando dificuldades, nesta quarta-feira (20), para explicar a morte de um homem de 46 anos, morto durante uma transmissão em streaming, na qual ele aparecia sendo maltratado por dois colegas de cena, informou um promotor.

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A polícia que investiga a morte, ocorrida na segunda-feira, de Raphaël Graven, conhecido na internet como "Jean Pormanove" ou "JP", interrogou testemunhas e confiscou provas, incluindo vídeos, informou o promotor Damien Martinelli em um comunicado.

"Foram realizadas várias entrevistas com pessoas presentes no momento da morte sem produzir pistas sobre sua causa", detalhou. Uma necropsia foi ordenada para a quinta-feira.

Graven ganhou seguidores com programas ao vivo na internet, nos quais sofria abusos e humilhações.

Os promotores da cidade de Nice assinalaram que ele morreu na segunda-feira na localidade vizinha de Contes.

A investigação sobre a morte de Graven ocorre após outra averiguação, em dezembro, de denúncias de maus-tratos e humilhações contra pessoas vulneráveis em vídeos com pagamentos online dos espectadores, dos quais os mesmos protagonistas participavam.

Neste caso, "NarutoVie" e "Safine" foram presos e interrogados em janeiro.

A polícia também interrogou as supostas vítimas dos maus-tratos, Graven e um homem conhecido cono "Coudoux", mas os dois negaram ter sofrido violência, assinalou Martinelli. Eles explicaram que os atos "eram arranjados, destinados a gerar notoriedade e ganhar dinheiro", acrescentou.

Coudoux declarou que chegou a ter ganhos mensais de até 2.000 euros (mais de R$ 12.300, em valores de janeiro passado) por sua participação, enquanto Graven "mencionou quantias de 6.000 euros" (aproximadamente R$ 37.000) obtidas por sua empresa graças a contratos com plataformas de streaming.

"Ambos afirmaram que nunca ficaram feridos, que eram livres para entrar e sair, e para tomar suas próprias decisões", explicou o promotor. Eles também se recusaram a fazer exames médicos e psiquiátricos.

A plataforma australiana Kick anunciou, nesta quarta-feira, que todos os co-streamers envolvidos no evento foram expulsos da plataforma enquanto durar a investigação. E acrescentou que está realizando "uma reavaliação completa" de seu conteúdo na França.

A plataforma é considerada menos rígida em suas normas de uso do que sua concorrente mais conhecida, a Twitch.

F.Carpenteri--NZN