Zürcher Nachrichten - Passado escravagista do Banco do Brasil reabre debate sobre reparações

EUR -
AED 4.223936
AFN 72.459626
ALL 95.625923
AMD 433.015565
ANG 2.058868
AOA 1054.6893
ARS 1573.442377
AUD 1.671004
AWG 2.073149
AZN 1.957174
BAM 1.949
BBD 2.31292
BDT 140.907151
BGN 1.965965
BHD 0.433612
BIF 3411.091117
BMD 1.150152
BND 1.475761
BOB 7.953251
BRL 6.066823
BSD 1.148339
BTN 108.22499
BWP 15.790486
BYN 3.448588
BYR 22542.981659
BZD 2.309631
CAD 1.595226
CDF 2628.673947
CHF 0.917781
CLF 0.027129
CLP 1071.20497
CNY 7.949219
CNH 7.961301
COP 4243.440261
CRC 532.405408
CUC 1.150152
CUP 30.479031
CVE 109.886384
CZK 24.543729
DJF 204.496733
DKK 7.471395
DOP 69.233629
DZD 153.151704
EGP 60.730105
ERN 17.252282
ETB 177.477381
FJD 2.596354
FKP 0.861536
GBP 0.866352
GEL 3.099699
GGP 0.861536
GHS 12.555521
GIP 0.861536
GMD 84.537027
GNF 10067.175447
GTQ 8.785881
GYD 240.259646
HKD 9.009154
HNL 30.492755
HRK 7.529588
HTG 150.386802
HUF 390.636538
IDR 19530.733242
ILS 3.626901
IMP 0.861536
INR 108.962994
IQD 1504.398841
IRR 1510494.78673
ISK 143.400945
JEP 0.861536
JMD 180.479324
JOD 0.815453
JPY 183.863271
KES 149.39231
KGS 100.581391
KHR 4598.695285
KMF 491.115256
KPW 1035.238473
KRW 1738.77706
KWD 0.354177
KYD 0.957028
KZT 553.221334
LAK 24803.949548
LBP 102835.542724
LKR 361.157941
LRD 210.747529
LSL 19.64576
LTL 3.3961
LVL 0.695715
LYD 7.333064
MAD 10.72219
MDL 20.170398
MGA 4786.031084
MKD 61.591028
MMK 2418.239118
MNT 4117.532138
MOP 9.253891
MRU 45.806993
MUR 53.792604
MVR 17.781399
MWK 1991.240041
MXN 20.757992
MYR 4.615582
MZN 73.506528
NAD 19.64559
NGN 1590.925147
NIO 42.259434
NOK 11.177719
NPR 173.13788
NZD 1.999338
OMR 0.442229
PAB 1.148393
PEN 3.974399
PGK 4.962341
PHP 69.616981
PKR 320.584138
PLN 4.287508
PYG 7517.412308
QAR 4.187644
RON 5.097707
RSD 117.436278
RUB 93.944831
RWF 1676.954344
SAR 4.316005
SBD 9.249494
SCR 15.489295
SDG 691.241518
SEK 10.8734
SGD 1.481515
SHP 0.862912
SLE 28.23633
SLL 24118.127446
SOS 656.270335
SRD 43.202003
STD 23805.826849
STN 24.413125
SVC 10.048591
SYP 127.12204
SZL 19.643428
THB 37.852681
TJS 10.991021
TMT 4.037034
TND 3.379315
TOP 2.76929
TRY 51.134901
TTD 7.794399
TWD 36.818899
TZS 2963.351973
UAH 50.389743
UGX 4272.205731
USD 1.150152
UYU 46.560385
UZS 13988.074066
VES 535.99176
VND 30292.131604
VUV 137.681472
WST 3.168478
XAF 653.639515
XAG 0.017026
XAU 0.00026
XCD 3.108344
XCG 2.069707
XDR 0.812918
XOF 653.645178
XPF 119.331742
YER 274.483923
ZAR 19.79199
ZMK 10352.747435
ZMW 21.560744
ZWL 370.348515
Passado escravagista do Banco do Brasil reabre debate sobre reparações
Passado escravagista do Banco do Brasil reabre debate sobre reparações / foto: Tercio TEIXEIRA - AFP

Passado escravagista do Banco do Brasil reabre debate sobre reparações

O visconde José Bernardino de Sá, um nobre brasileiro que fez fortuna com o envio para a América de africanos sequestrados e escravizados, tornou-se, em 1853, o maior investidor do Banco do Brasil, o banco mais antigo do país.

Tamanho do texto:

Cento e setenta anos depois, a instituição enfrenta ações legais por seus vínculos com o mercado de escravizados, parte de uma crescente pressão no país e no mundo para que quem se beneficiou da escravidão faça reparações.

No Brasil, o último país da América a abolir a escravidão, em 1888, o debate estourou em setembro, depois que 14 historiadores enviaram ao Ministério Público Federal (MPF) um estudo que detalha a participação do Banco do Brasil nesse comércio.

Naquilo que os historiadores consideram como o primeiro caso desse tipo no país, os promotores abriram uma investigação e exigiram reparações do banco estatal, fundado em 1808 e, atualmente, segundo maior banco da América Latina, com ativos em 380 bilhões de dólares (1,9 trilhão de reais).

Mas a mancha da escravidão foi muito além de um banco, como deixa claro o estudo.

"O capital em forma de corpos humanos foi parte estruturante do mercado financeiro nacional", aponta o documento, elaborado por historiadores de Harvard, da Universidade de Pittsburgh e várias universidades brasileiras.

Atualmente, 56% dos 203 milhões de habitantes do Brasil identificam-se como pretos ou pardos.

As cicatrizes dos séculos de opressão ainda são visíveis: os salários dos brasileiros negros são, em média, cerca da metade do que os brancos recebem, os negros têm menor expectativa de vida e enfrentam a discriminação frequentemente.

"Isso não é um problema do passado, isso é um problema de hoje", disse uma das historiadoras, Martha Abreu, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

- "As desculpas são insuficientes" -

Este mês, os procuradores convocaram ativistas do movimento negro, funcionários governamentais e do Banco do Brasil para uma audiência pública na escola de samba Portela, símbolo do orgulho negro e da influência afro-brasileira na cultura nacional.

André Machado, gerente-executivo do Banco do Brasil, abriu o ato lendo um pedido de desculpas público pelo papel do banco no "processo histórico perverso" da escravidão.

A instituição enfatizou que sua atual diretora-executiva, Tarciana Medeiros, é a primeira mulher negra a ocupar esse cargo na história da empresa.

O banco apresentou planos para enfrentar a desigualdade, como financiamento para mulheres negras empreendedoras, planos de carreira acelerados para empregados negros e financiamento de pesquisas sobre questões raciais.

Mas o procurador da República Julio Araújo considerou "insuficientes" essas propostas, e disse à AFP que sua equipe continuará buscando reparações mais amplas.

Os participantes também ficaram desapontados.

"Quando a gente fala em reparação, não pode ser só um pedido de desculpas", disse à AFP Sílvia de Mendonça, ativista do Movimento Negro Unificado, de 62 anos.

Mendonça listou uma série de projetos que as comunidades negras esperam financiar com eventuais reparações: educação, cuidado infantil acessível, centros culturais, reforma policial, capacitação profissional.

"Não é necessariamente indenizar financeiramente, porque não adianta... Mas de alguma forma empoderar, capacitar, incluir e dialogar políticas públicas com essa população", acrescentou.

- Por trás das "impressões digitais" -

O Brasil foi o maior importador mundial de africanos durante o comércio transatlântico de escravizados.

Estima-se que 5,5 milhões de escravizados tenham sido trazidos entre os séculos XVI e XIX para o Brasil.

Os historiadores destacam os estreitos vínculos do Banco do Brasil com a escravidão.

Bernardino de Sá, seu maior acionista individual, foi um dos principais traficantes de escravizados do mundo, ao trazer 19.000 africanos para o Brasil entre 1825 e 1851, até mesmo depois da proibição do comércio em 1850.

O então diretor do banco, João Henrique Ulrich, começou como traficante de escravizados em Angola, enquanto João Pereira Darigue Faro, vice-presidente, vinha da família que mais possuía escravos na principal região produtora de café do Brasil, o Vale do Paraíba, no estado do Rio.

O estudo também apontou como o Banco do Brasil utilizou seu capital - em grande parte procedente do comércio de escravizados - para financiar toda uma economia baseada na escravidão.

Os negros não se tornaram apenas mão de obra, mas também ativos financeiros que garantiam empréstimos e geraram grandes riquezas.

O debate vai além do Brasil: as nações africanas celebraram neste mês uma conferência pioneira sobre reparações pelo devastador legado da escravidão no continente.

O anfitrião, o presidente de Gana, Nana Akufo-Addo, apelou às nações africanas e caribenhas que se unam para exigir justiça dos países ocidentais.

Os historiadores planejam investigar outras empresas e famílias cuja riqueza atual esteja vinculada à escravidão, revelou Abreu.

"No Brasil, às vezes, parece que a escravidão aconteceu e ninguém participou, não tem as impressões digitais de ninguém", disse Araújo.

"É necessário pensar como a gente enxerga esse passado e como a gente olha no presente e no futuro dado esse crime contra a humanidade que aconteceu aqui. E aí é necessário pensar também em ações de reparação", concluiu.

O.Hofer--NZN