Zürcher Nachrichten - AIEA se sente refém das manobras diplomáticas do Irã, afirma diretor da agência

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AIEA se sente refém das manobras diplomáticas do Irã, afirma diretor da agência
AIEA se sente refém das manobras diplomáticas do Irã, afirma diretor da agência / foto: Ludovic MARIN - AFP

AIEA se sente refém das manobras diplomáticas do Irã, afirma diretor da agência

O Irã está restringindo "de uma maneira sem precedentes" a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a usa "como refém" em suas disputas com as grandes potências, afirmou o diretor dessa agência da ONU, Rafael Grossi, à AFP.

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Os inspetores da AIEA encontram constantes obstáculos desde 2021 para realizar suas missões de controle do programa nuclear iraniano, que continua em desenvolvimento, embora a República Islâmica negue querer adquirir uma bomba atômica.

"É uma situação muito frustrante. Continuamos exercendo nossas atividades lá, mas no mínimo", explica Grossi em entrevista à AFP à margem do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. As autoridades iranianas "estão restringindo a cooperação de uma maneira sem precedentes", destaca.

"Alguns de nossos inspetores foram excluídos das equipes devido à sua nacionalidade, o que é inaceitável", afirma. "São alguns de nossos melhores inspetores, então é uma maneira de nos punir por coisas externas", como "quando há algo que não gostam, quando França, Reino Unido ou Estados Unidos dizem algo que não gostam", explica.

"É como se estivessem usando a AIEA como refém para suas disputas políticas com outros países", acrescenta o diplomata argentino, que denuncia uma situação "inaceitável". Os iranianos "devem permitir que a agência tenha todos os acessos necessários às instalações nucleares iranianas", enfatiza.

- "Diplomacia, diplomacia, diplomacia" -

O Irã diminuiu ao longo de 2023 sua produção de urânio enriquecido a 60%, o que foi visto como um gesto positivo em um momento em que as conversas informais com os Estados Unidos foram retomadas. Mas acelerou novamente a produção no final do ano.

"Atualmente, há um impasse", segundo Grossi, "mas pode mudar nos próximos dias, nunca se sabe".

A animosidade entre Estados Unidos e Irã aumentou com o conflito entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas, que Washington e Teerã se acusam mutuamente de agravar.

"O deterioro da situação política lá tem um impacto direto, é claro, no sentido de que as tensões se exacerbam, as posições se cristalizam e se tornam mais tensas, há menos flexibilidade. E isso é um círculo vicioso", lamenta Grossi.

"Diplomacia, diplomacia, diplomacia": essa continua sendo a solução para ele. "Devemos continuar falando, devemos impedir que a situação se deteriore até o ponto de ser impossível reconduzi-la".

"Não descartaria voltar ao Irã", assegura, mas a situação deve ser tratada em um "nível muito alto".

As principais potências mundiais chegaram a um acordo com o Irã em 2015, que deveria conter seu programa nuclear em troca da flexibilização das sanções internacionais.

Mas o acordo ficou moribundo quando os Estados Unidos se retiraram dele e impuseram novamente sanções contra Teerã em 2018 durante a presidência de Donald Trump.

Teerã respondeu intensificando seu programa nuclear, e até agora as negociações para reinstaurar o acordo não foram bem-sucedidas.

- "Não há militarização" de Zaporizhzhia -

A usina nuclear ucraniana de Zaporizhzhia é outro local para o qual a AIEA tenta enviar seus inspetores, e a situação ainda é "extremamente preocupante", diz Grossi.

Esta usina nuclear, a maior da Europa, está nas mãos das forças russas desde março de 2022, que haviam invadido a Ucrânia um mês antes. Os ocupantes invocaram recentemente motivos de segurança para impedir o acesso dos inspetores da ONU.

"Temos que ir", defende Rafael Grossi.

"Às vezes, pedimos para ir a um lugar, as pessoas responsáveis pela segurança nos dizem que não, insistimos..." Essa interação "nem sempre é fácil, mas insistimos muito e, no final, conseguimos ver o que precisamos ver", assegura.

"Pudemos cobrir os telhados de todos os reatores" de Zaporizhzhia e "pudemos confirmar que não há militarização da usina", afirma, referindo-se a "material militar pesado ou material de artilharia".

"E nos últimos meses não houve ataques diretos à usina", acrescenta.

Em contrapartida, Grossi menciona "apagões e interrupções no fornecimento elétrico externo, que são igualmente perigosos porque se perdemos energia, perdemos a capacidade de refrigerar os reatores e, claro, pode ocorrer um acidente".

I.Widmer--NZN