Parlamento confirma Takaichi como primeira-ministra do Japão
A Câmara Baixa do Japão confirmou formalmente nesta quarta-feira (18) Sanae Takaichi no cargo de primeira-ministra, 10 dias após sua vitória nas eleições.
Takaichi, 64 anos, tornou-se em outubro a primeira mulher a governar o país. Depois de convocar eleições antecipadas para 8 de fevereiro, ela conquistou a maioria de dois terços para seu partido.
A chefe de Governo expressou a intenção de reforçar o Exército japonês, o que provavelmente aumentará a tensão nas relações com a China, e está sob pressão para estimular a economia do país.
Em novembro, ela sugeriu que o Japão poderia intervir militarmente se Pequim tentasse atacar Taiwan. A declaração enfureceu a China, que considera a ilha, governada de forma democrática, como parte de seu território e não descarta tomá-la pela força, se considerar necessário.
A disputa entre os dois países provocou uma forte queda das viagens de turistas chineses ao Japão, com um retrocesso de 60,7% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo a Organização Nacional de Turismo japonesa.
Uma das causas apontadas é a advertência do governo chinês para que seus cidadãos não viajem ao Japão devido à crise diplomática.
O governo de Takaichi também planeja promover uma lei para criar uma Agência Nacional de Inteligência e iniciar discussões sobre uma lei antiespionagem, segundo a imprensa local.
A primeira-ministra também prometeu reforçar as leis migratórias, apesar de a segunda maior economia da Ásia enfrentar a falta de mão de obra e o declínio populacional.
Em um discurso de diretrizes políticas previsto para a próxima sexta-feira, Takaichi insistirá na promessa de campanha de suspender por dois anos o imposto sobre o consumo dos alimentos, com o objetivo de aliviar a pressão inflacionária das famílias, destacou a imprensa.
A promessa gerou temores nos mercados devido à enorme dívida japonesa. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a medida faria com que os pagamentos de juros sobre a dívida dobrassem entre 2025 e 2031.
- Regras da família imperial -
Para aliviar os temores, Takaichi insistirá em seu mantra de ter uma política fiscal "responsável e proativa", além de estabelecer uma meta de redução da dívida pública, segundo a imprensa.
No discurso de sexta-feira, a primeira-ministra anunciará a criação de um "conselho nacional" com representação de todos os partidos para discutir a tributação e como financiar a Previdência Social de uma população que está envelhecendo.
Sua primeira tarefa, no entanto, será conseguir a aprovação do orçamento nacional para o ano fiscal que começa em 1º de abril. O processo foi adiado pela eleição.
A coalizão de governo também quer acelerar o debate sobre mudanças constitucionais e a revisão das regras que regem a família imperial para impedir uma possível crise de sucessão.
Takaichi e muitos membros do Partido Liberal Democrático (PLD) não aceitam que uma mulher assuma como imperatriz, mas as regras atuais podem ser modificadas para permitir a entrada de novos integrantes do sexo masculino na família imperial.
L.Muratori--NZN